Uma geração de líderes corporativos está redefinindo o que significa ter sucesso nos negócios. Menos hierarquia, mais escuta. Menos apresentações, mais resultados. Conversamos com cinco CEOs que estão mudando a cultura das empresas brasileiras.
Quando Carla Mendonça assumiu a diretoria de uma das maiores redes de varejo do país, em 2023, a primeira coisa que fez foi eliminar as salas privativas da liderança. "Eu precisava entender o que acontecia de verdade na empresa, e isso não acontece atrás de uma porta fechada", conta ela.
A mudança causou estranhamento inicial. Alguns diretores seniores pediram demissão. Mas os resultados vieram: em dois anos, o índice de satisfação dos funcionários subiu 34 pontos percentuais e o turnover caiu pela metade.
Carla não está sozinha nessa transformação. Uma pesquisa realizada pela consultoria Korn Ferry com 800 executivos brasileiros mostra que 67% deles consideram "cultura organizacional" como o principal fator de competitividade das empresas — acima de tecnologia e acesso a capital.
"Demorou para o mercado brasileiro entender que cultura não é papo de RH", diz o professor de gestão da FGV Eduardo Pires. "É estratégia. É o que determina se a empresa consegue atrair talento, inovar e sobreviver a crises."
O movimento tem raízes na pandemia, quando muitas empresas foram forçadas a operar de forma remota e perceberam que o controle presencial era, em grande parte, uma ilusão de produtividade. Mas vai além disso: há uma pressão crescente de consumidores e investidores por empresas com práticas ESG consistentes.
"Não dá mais para ter um discurso bonito de sustentabilidade e tratar mal o funcionário", diz Rodrigo Alves, CEO de uma fintech paulistana que recentemente foi eleita uma das melhores empresas para trabalhar no Brasil. "As pessoas verificam. A reputação é construída de dentro para fora."
O desafio, dizem os especialistas, é que a transformação cultural é lenta e não tem fórmula. Cada empresa precisa encontrar seu próprio caminho.